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Nota do Autor :
Toda a gente sabe. Nova Iorque é a cidade mais fotogénica do mundo. E a mais filmada. Tornou-se o arquétipo da cidade cosmopolita – a cidade das cidades, como o foi Roma.
Mas é também por isso, e pela sua fotogenia, que a captura visual de Nova Iorque tende a cristalizar-se em torno de um conjunto de motivos que o cinema e a fotografia, sobretudo, consagraram. Muitas vezes, um instante é o suficiente para fazer-nos compreender, como espectadores, de que cidade se trata. Mas… e se assim não o fosse?
A dificuldade reside na forma urbis deste umbigo do mundo. Todavia, quem observar as minhas fotografias poderá surpreender-se por outras perspectivas e pontos de vista, uma vez que procurei captar uma cidade lírica e menos busy neste conjunto de fotografias de Nova Iorque. Diria mesmo (perdoem-me a redundância) que a luz, sobretudo a luz, é a protagonista desta série. O crepúsculo que cai sobre as ruas; o reflexo límpido de um céu claro contra uma fachada cortina de um mega edifício; a sombra cortante que invade uma avenida; o jogo entre a erupção do arranha-céus e a visibilidade criada pela cor que simboliza a cidade: o amarelo em movimento, em mutação permanente, dos célebres yellowcabs.
Uma das minhas imagens preferidas mostra o lado calmo (e suave) da cidade: um rasgo de sol, ao entardecer, atravessa, como acto de revelação, no Central Park, concedendo uma luz dourada às silhuetas dos que nele passeiam. Captada quase junto à relva, esta fotografia proporciona um intervalo – de espaço e de tempo – de que ocorre a curva lenta e pacífica do entardecer como uma indolência necessária, mesmo em Nova Iorque.
Manuel Ferreira Chaves
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