The illiterate of the future will be the person ignorant of the use of the camera as well as the pen.
László Moholy-Nagy, 1932
Na confusão das montras das lojas de fotografia, vêem-se amontoados de máquinas fotográficas, novas ou em segunda mão; mas também nas ordenadas prateleiras, objectivas, lentes, antiguidades ou novidades de última geração, aparelhos obsoletos, imitações... vê-se de tudo para venda. Photo Works pretende falar da banalização das imagens, mas também da banalização do objecto das imagens, da “objectiva” e do objectivo da Fotografia.
O surgimento das máquinas fotográficas como objectos portáteis e simples de utilizar permitiu a democratização da fotografia. A vulgarização das máquinas fotográficas como objectos resulta da própria massificação da sociedade industrial. No entanto, a máquina é para os seus proprietários, um objecto precioso que ganha uma individualidade própria. Com a democratização do uso das máquinas fotográficas, passámos a poder registar os nossos momentos e isso alterou a nossa percepção de nós.
A noção de máquina fotográfica como “espelho mágico” da realidade, contém e si a ideia de auto-retrato. Nesta exposição quem surge retratada é a própria máquina fotográfica. A máquina capta outras tantas iguais a ela e o seu reflexo chega mesmo a aparecer na objectiva das retratadas. O facto de a exposição se realizar num espaço onde são vendidas máquinas fotográficas, realça a importância desses objectos, enquanto “órgãos auxiliares” da visão e da memória humana, como Freud os classificou.
Rodrigo Bettencourt da Câmara, nasceu em Lisboa em 1969. Tem seguido estudos na área artística de forma variada e continua em pintura, desenho, fotografia, video, instalação, pedagogia, conservação e restauro.
Neste projecto explorou um ambiente próprio de quem vive o meio da fotografia. A procura do sistema que melhor desenvolve um projecto fotográfico começa precisamente na escolha da máquina fotográfica. Entramos no mundo semi-caótico das lojas onde cada objecto encerra em si uma promessa tecnológica de perfeição, conseguida ou não.
O projecto “Photo Works”, é inteiramente realizado em sistema analógico e químico. O filme é negativo a cores (400 ASA) e a ampliação, química. Cerca de 300 fotografias em formato A4 são instaladas na galeria.
cf. FREUD, Sigmund, "Malaise dans la Civilisation", Paris, P.U.F., 1930, p.38. |